
É nessa noite,
eu e você.
Nos becos escuros,
nas garrafas vazias,
nos cantos úmidos,
nas paredes gélidas e sofridas.
Suas mãos,
minhas bocas
suas palavras,
poucas roupas.
Sem muito interesse,
nessa nossa inocência.
Escondendo a polêmica,
refazendo a decadência.
Levando à imaginação,
toda decência,
modificando o possível
da nossa aparência.
É pra você ou é pra mim?
Vamos fazer assim
Ou vai deixar o resto pra mim?
-Na verdade, eu sei o que fazer.
Apago as palavras até o sol nascer.
Noite fria, belas palavras.
Estou pensando em mudar de Sistema.

Meus dias aqui na Terra não tem dado mais resultados,
meus caminhos já sumiram e meus passos estão pesados.
Preciso de uma outra gravidade,
um espaço menos lunar
sem frio e com neve,
sem medo de onde devo nadar.
Muitas cores em formatos,
nos seus olhos redondos refletidos em meus espelhos quadrados,
na minha maneira de permitir,
no seu jeito de perdoar,
dando razão para os nossos sentidos
dando tato ao nosso olhar.
Estive pensando em outro sistema,
mas me parece tão distante...
-pensando bem, com você, é num instante!
Basta uma noite,
e nós vamos pra lá.
Você me abraça forte
e me soluciona a voar.
Vamos ter todo um planeta pra fazer viver,
sem muita gente, só eu e você.
O nosso jardim do Éden,
com a nossa maneira de agir, de amar,
sem essas limitações humanas,
sem as velhas barreiras
sem o Sistema solar.
Para os tímidos eis um objeto.
Sabe quando você acorda com aquela sensação de que vai ser tudo diferente?
-Acordei assim hoje.
Tive a ligeira impressão de que algo novo aconteceria, que meu destino, minha trilha, meu caminho mudariam para sempre. Passei toda manhã tentando lembrar de algum sonho que talvez tivesse me levado a esse estado de ansiedade.
Me arrumei, sai e quem poderia dizer que realmente, tudo viria a mudar, que eu veria pela primeira vez aquilo que já a algum tempo tem estado em minha frente?
Acredito que tenha sido o frio, a chuva, o céu cinza escuro que se ofuscava no azul daqueles olhos, na clareza daquela pele, nos lábios delicados e dentre os cabelos adormecidos. Provavelmente era magia, algo que roubava de mim a razão e o sentido.
Aquele objeto parecia a mim se atrair e sempre que se aproximava a minha timidez se fazia o artista principal da minha vida.
-Ah...me faltaram palavras.
Deixei escapar as chances de dizer “oi”, de quem sabe descobrir se aquilo tinha nome. Eu poderia ter escapado de uma peça idiota e ter me atirado num filme de oportuno e provável romance, mas eu me mantia preso na finura dos lábios e nas estrelas que caíram sobre o dorso da pele.
O momento certo já havia passado, eu já me distanciava e no último momento eu virei meus olhos pra trás e pude por um segundo notar que aquilo não era só o meu objeto, eu também era o objeto de alguém.
A vida de quem aprende a jogar.
Existem tantas pessoas no mundo, todas procurando uma razão ou motivação. Todas tentando mudar, serem aceitas, se encaixarem em um quebra-cabeças torto e incerto.
As pessoas se perdem mesmo que seja pra seguir um único pensamento, uma única razão deixando para trás nada além de si próprias e do que elas um dia acreditaram que seriam, mas existe muito mais além dessa fronteira, desse parâmetro torto que o destino cria como barreira, tentando estimular os poucos a derrubarem muros e portas invisíveis.